terça-feira, 16 de novembro de 2010

Problemas de saúde e económicos dificultam decisão de deixar de fumar (in Público)

Fumadores portugueses pedem ajuda para deixar os cigarros, mas os profissionais deparam-se com situações cada vez mais complicadas, associadas a problemas de saúde, sociais e económicos, que dificultam o tratamento, alertou hoje uma especialista.

"Esta conjuntura em que vivemos complica muito todo o processo. O fumador, por um lado, até iria poupar dinheiro ao deixar de fumar, (...) por outro lado, ainda tem, infelizmente, de pagar os fármacos para a cessação tabágica", afirmou Ivone Pascoal, da Comissão do Tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

A propósito do Dia Nacional do Não Fumador, que se assinala amanhã, a especialista referiu que, com base nas estatísticas existentes, parece haver uma diminuição da prevalência dos fumadores em Portugal, mas é uma tendência que avança "muito lentamente".

Nas consultas, "temos cada vez fumadores mais difíceis, com mais problemas de saúde, com outro tipo de situações que dificultam o deixar de fumar, nomeadamente a ansiedade e a depressão, e com problemas sociais e económicos" que tornam mais complicada a resolução das situações, salientou a pneumologista responsável pela consulta de desabituação tabágica do Centro Hospitalar Gaia-Espinho.

O tabaco é o principal factor de risco para o cancro do pulmão, a segunda causa de morte por doença oncológica, em Portugal, segundo a Liga Portuguesa contra o Cancro. Ivone Pascoal explicou que, além da força de vontade -"o ingrediente indispensável" para deixar de fumar -, ajuda muito que o fumador tenha acesso a boas práticas na cessação tabágica, como um acompanhamento e tratamento farmacológico adequado à sua situação.

E, se alguém "tem a cabeça ocupada" com outros problemas para gerir o pouco dinheiro que tem para pagar as contas ao final do mês, não terá disponibilidade para alterar comportamentos e hábitos e arranjar estratégias para deixar de fumar. O facto dos medicamentos para deixar de fumar não serem comparticipados também aumenta as dificuldades.

Neste momento, a nível nacional, "não há grande tempo de espera para as consultas, os fumadores já têm acesso a uma consulta de cessação tabágica, mas corremos o risco de, quando chega a altura de escolher o fármaco, (...) eles não o conseguem comprar ou então interrompem o tratamento antes do tempo por falta de dinheiro", salientou Ivone Pascoal.

A entrada em vigor da lei do tabaco em Janeiro de 2008 levou à sensibilização da população e aumentou o número de interessados em consultas. Mas, "actualmente deixou de falar-se do assunto" o que se junta ao facto de as pessoas poderem ir a uma consulta, mas depois não saberem se terão dinheiro para pagar os fármacos, o que também pode ser um factor de desmotivação. "É preciso voltar a falar-se do assunto e da importância de cada profissional de saúde procurar saber se as pessoas fumam, se precisam de ajuda e orientá-las para as consultas", frisou a especialista.

Pode encontrar a notícia, aqui.

http://www.publico.pt/Sociedade/problemas-de-saude-e-economicos-dificultam-decisao-de-deixar-de-fumar_1466393

Sem comentários:

Enviar um comentário